Novo centro auxilia indústria na prevenção e gerenciamento de doenças crônicas não transmissíveis

11/12/2018 07:10

Por Aline Dias|Agência do Rádio 

As doenças crônicas não transmissíveis são a principal causa de morte no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), são 41 milhões de mortes por ano, o que equivale a 70% de todos os falecimentos. No Brasil, entre 2010 e 2016, o diabetes, uma das principais doenças crônicas, causou mais de 400 mil mortes. Os dados, apontados pelo Ministério da Saúde, por meio da pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), também mostram que a doença continua crescendo a cada ano.

O percentual de homens que apresentaram diagnóstico médico de diabetes aumentou 54%, entre os anos de 2006 e 2017. Entre as mulheres, o crescimento foi de 28,5% no mesmo período. De acordo com a última pesquisa, 7% por cento da população pelas capitais brasileiras são portadores de diabetes.

O diabetes é uma doença crônica na qual o corpo não produz insulina ou não consegue empregar adequadamente a insulina que produz. O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, João Eduardo Nunes Salles, explica que a doença pode provocar uma série de danos ao organismo.

“O diabetes é a maior causa de cegueira no Brasil. É a maior causa de amputações no Brasil. As pessoas com diabetes aumentam o risco de ter infarto, por exemplo, em 4x. Quando a gente fala nas mulheres com diabetes, chega ser 10x maior o risco de ter infarto, do que uma mulher sem diabetes”, afirma João Eduardo.

A hipertensão também é uma das doenças crônicas não transmissíveis mais incidentes no Brasil. Em 11 anos, o diagnóstico médico de hipertensão arterial aumentou na população adulta das capitais brasileiras e Distrito Federal. De acordo a Vigitel de 2017, a prevalência de hipertensão passou de 22,6% em 2006 para 24,3% em 2017.

A hipertensão arterial é caracterizada pelos níveis elevados da pressão sanguínea nas artérias. A doença é um dos principais fatores de risco para a ocorrência de acidente vascular cerebral, enfarte, aneurisma arterial e insuficiência renal e cardíaca. Segundo o Ministério da Saúde, as principais doenças crônicas não transmissíveis são as doenças cardiovasculares, diabetes, cânceres e doenças respiratórias crônicas.

Doenças crônicas não transmissíveis nas indústrias

As doenças crônicas não transmissíveis trazem diversos impactos também para os trabalhadores. Uma organização que se dedica ao fortalecimento das relações econômicas e comerciais entre os Estados Unidos e o Brasil, Brazil-US Business Council, estima que, no Brasil, até 2030, os casos de absenteísmo, presenteísmo e aposentadoria precoce causados por doenças crônicas atinjam perdas de 8,7% do PIB.

Para auxiliar a indústria no gerenciamento dos fatores de risco para as doenças crônicas não transmissíveis entre os trabalhadores, como tabagismo, alimentação não saudável, uso nocivo do álcool e atividade física insuficiente, o Serviço Social da Indústria (SESI) lançou, na última terça-feira (4), o Centro de Inovação SESI Estilo de Vida e Saúde, em São Paulo. O Centro, que tem como objetivo produzir pesquisas aplicadas vinculadas aos desafios que as indústrias do Brasil lançam sobre o tema, está localizado na sede do SESI, na Avenida Paulista.

O gerente executivo de Esporte e Promoção de Saúde do SESI de São Paulo, Eduardo Carreiro, explica que o Centro Estilo de Vida e Saúde vai ajudar as indústrias a manterem um ambiente de trabalho saudável, por meio de programas que incentivem hábitos saudáveis como prevenção para os trabalhadores, que costumam passar a maior parte do tempo dentro do local de trabalho. Eduardo ressalta que, apesar de não ser o objetivo principal das empresas, é preciso investir na gestão de saúde.

“A empresa, a partir do momento que investe, passa a ter a possibilidade de diminuir o absenteísmo; de ter outros indicadores, como o presenteísmo, melhorados; pode ter a possibilidade de menor número de afastamentos; tem a possibilidade de fazer a gestão desses fatores e com isso diminuir valores do seu seguro saúde. Então a diminuição com os custos de saúde é bastante significativa”, destaca.

Além do Centro de Inovação SESI Estilo de Vida e Saúde, o SESI conta com outros oito centros de inovação espalhados pelo Brasil, com diferentes temáticas, para atender à demanda da indústria nacional na área de saúde e segurança do trabalhador. São elas: prevenção da incapacidade, na Bahia; economia para saúde e segurança, no Ceará; ergonomia, em Minas Gerais; sistemas de gestão de SST, em Mato Grosso do Sul; higiene ocupacional, no Rio de Janeiro; tecnologias para a saúde, em Santa Catarina; fatores psicossociais, no Rio Grande do Sul e longevidade e produtividade, no Paraná.

Para receber o apoio de um dos centros de inovação, as empresas podem entrar em contato pela plataforma www.inovacaosesi.org.br. Nela estão todas as soluções já desenvolvidas pelos Centros.

SESI Viva+

Para facilitar o acesso a informações e auxiliar os gestores na tomada de decisões sobre investimentos em segurança e saúde dos trabalhadores das indústrias e prevenção de risco de acidentes, o SESI lançou, em junho de 2018, uma plataforma multifuncional para auxiliar a indústria. O SESI Viva+ pode ser acessado pela internet e também como aplicativo para celular, nas versões para o empregado e para o empregador.

A plataforma reúne um conjunto de ferramentas para interação entre empresa e empregados, onde há trocas de experiências, dicas e notificações importantes, como de campanhas de saúde que mobilizam toda a empresa. As indústrias também podem usar o canal para armazenar e compartilhar com trabalhadores conteúdos técnicos de segurança e saúde no trabalho, como políticas da empresa, procedimentos, informes diários de segurança, vídeos de capacitação e sensibilização e informações sobre campanhas.

Portal Gazeta Do Amazonas (Reprodução autorizada mediante citação do Portal Gazeta Do Amazonas)

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