O uso de óculos de sol sem proteção UV pode afetar a saúde ocular

19/10/2018 14:35

De acordo com a Dra. Andréia Peltier Urbano (CRM 18425), oftalmologista membro da Associação Brasileira de Catarata e Cirurgia Refrativa (ABCCR-BRASCRS), Doutora em Oftalmologia pela Escola Paulista de Medicina – UNIFESP e Especialista em Cirurgia Refrativa e Cirurgia de Catarata, os raios solares podem afetar a saúde ocular.

Dentre os três tipos de raios solares que atingem a Terra (raios visíveis, raios infravermelhos e raios ultravioletas), a radiação ultravioleta (UV) está associada aos danos celulares oculares, em curto, médio e longo prazos. Como a maior parte dos raios UV-A não é filtrada pela atmosfera, estes correspondem a 98% dos raios UV que atingem a Terra. Os outros 2% são do tipo UV-B, que, na sua grande maioria, são retidos pela camada de ozônio, chegando apenas 5% destes raios na Terra. Os raios UV-C, por sua vez, são totalmente retidos pela camada de ozônio e não atingem a superfície terrestre”, explica a especialista. 

Para atenuar a incidência dos raios UV sobre a superfície ocular, os óculos de sol de alta qualidade têm o objetivo de: 1) reduzir a luminosidade que atinge os olhos – protegendo-os dos sintomas de fotofobia; 2 ) proporcionar uma visão com boa nitidez – que está diretamente relacionada à alta qualidade óptica da lente dos óculos e 3) proteger as pálpebras e o olho dos efeitos nocivos dos raios solares – propriedade relacionada à cobertura ultravioleta aplicada nas lentes.

Danos oculares

Na maioria das cidades brasileiras, o comércio de óculos de qualidade e procedência duvidosa é comum. E uma pessoa que faz uso desses óculos de sol sem garantia está sujeita a apresentar doenças, como câncer no olho e nas pálpebras, além de catarata e outras afecções que afetarão a qualidade da visão.

A oftalmologista Dra. Andréia Urbano explica que os principais danos celulares que ocorrem nos olhos quando não se usa óculos escuros com proteção UV, em curto prazo, são as queimaduras nas pálpebras (fotodermatite), conjuntiva (fotoconjuntivite) e córnea (fotoceratite). “Estas lesões agudas se manifestam em torno de 6 a 12 horas após a exposição com edema palpebral, dor ocular intensa, olhos vermelhos, lacrimejamento e halos em volta da luz. Estes sintomas tendem a desaparecer, na grande maioria dos casos, em torno de 18 horas. Mas, infelizmente, há casos com cegueira total e permanente. Já as lesões em médio e longo prazo estão relacionadas ao envelhecimento da pele das pálpebras (fotoenvelhecimento), do cristalino (catarata) e da retina (degeneração da mácula relacionada à idade) e ao processo inflamatório crônico, com o surgimento do pterígio (membrana aderente que, progressivamente, distorce a superfície da córnea) e de tumores malignos palpebrais e oculares”.

Apesar das explicações da especialista, muitas pessoas ainda podem estar se questionando de que maneira a acuidade visual é prejudicada quando se faz uso de óculos escuros sem o fator de proteção UV. “Nas situações de baixa luminosidade, como a que ocorre quando utilizamos óculos escuros, a pupila dilata, permitindo que mais raios solares atravessem as diversas estruturas dos olhos. Deste modo, se as lentes dos óculos não tiverem proteção solar para os raios UV-A e UV-B, maiores serão os efeitos danosos para os olhos”.

Cor da lente

A tecnologia da colorização da lente dos óculos é aplicada para produzir resultados específicos, pois a cor da tonalidade determina as partes do espectro de luz que são absorvidos pelas lentes. Segundo a Dra. Andréia Urbano, membro da ABCCR-BRASCRS, os óculos de sol de alta qualidade, independentemente da cor da sua lente, precisam ter proteção 100% para os raios UV-A e UV-B. “Estes óculos vêm com selo de garantia de proteção UV-400. Sendo assim, inclusive óculos de grau com lentes transparentes podem e devem ter proteção com filtro solar”.

Veja abaixo as características de algumas tonalidades.

  • Tonalidade cinza – mais comum dos óculos de sol, reduz a intensidade e o brilho da luz sem distorcer as cores, sendo recomendada para todas as atividades e, especialmente para indivíduos com astigmatismo.
  • Tonalidade marrom-âmbar – bloqueia uma porcentagem maior de luz azul, melhora o contraste e a nitidez dos objetos e reduz o brilho, sendo indicada para média e alta exposição ao sol, visão em nevoeiros, para direção durante o dia e para pessoas com sensibilidade à luz intensa. “Recentemente, pesquisas sugerem que as frequências de luz perto da UV, como o azul e o violeta possam contribuir para formação da catarata e da degeneração da mácula relacionada à idade, ao longo do tempo e, por isso, tem se dado mais ênfase, atualmente, nos óculos bloqueadores de azul”.
  • Tonalidade verde – também filtra a luz azul, reduz a luminosidade e oferece o mais alto contraste e melhor precisão visual, sendo usada para criar o estilo clássico aviador dos óculos de sol. Indicada especialmente para indivíduos acima de 60 anos.
  • Tonalidades amarela, laranja ou dourada – bloqueiam a luz azul e aumentam o contraste e o brilho, por isso são indicadas para condições nubladas, obscuras ou nevoeiro. Como também distorcem as cores, não são indicadas para atividades que necessitem a distinção de cores.
  • Tonalidade vermelha – distorce muito as cores, podendo causar mal-estar, não sendo indicadas para dias ensolarados.
  • Tonalidade azul – reduz a absorção de cores vivas, especialmente o vermelho e modifica as cores dos objetos. Pode ser usada para atividades ao ar livre e para usuários de computador.

Escolhendo os óculos de sol

No momento da aquisição de qualquer produto é necessário verificar se o mesmo não tem nenhum defeito, prazo de validade, etc. Com os óculos de sol a atenção também deve ser a mesma.  A oftalmologista Dra. Andréia Urbano, membro da ABCCR-BRASCRS, enumera alguns aspectos que devem ser levados em consideração na hora de comprar este acessório. São eles:

  1. Checar se apresentam proteção solar total, comprovada pelo selo de proteção UV 400, que significa proteção de 100% dos raios UV-A e UV-B. “Algumas óticas e alguns consultórios médicos possuem um aparelho chamado UV TESTER que é um espectômetro para medir se a lente possui filtro UV. Essa é uma forma de saber se os óculos que estão sendo adquiridos possuem ou não, o fator de proteção”.
  2. Certificar-se sobre a avaliação da qualidade óptica da lente, que deve ser livre de distorções e com distribuição uniforme das cores. “A maneira prática de se verificar a qualidade da lente dos óculos é posicioná-los de maneira que reflitam uma superfície reta, como uma janela ou porta. Se as lentes não refletirem linhas retas, este é um sinal de lentes de má qualidade óptica”.
  3. Observar o design da armação e da lente, pois as armações com lentes grandes proporcionam maior proteção ocular e com lentes envolventes permitem proteção lateral.
  4. Verificar se a cor da lente escolhida está adequada para as atividades que serão realizadas com os óculos escuros.

Com base na explanação da oftalmologista integrante da ABCCR-BRASCRS, o que não pode faltar nos óculos de sol são:

  • Filtros contra raios ultravioletas: UVA e UVB;
  • Certificado de que bloqueia a gama de radiação nociva;
  • Lentes com formato adequado para o sistema ótico de olho, para enxergar sem aberrações.

Sobre ABCCR

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CATARATA E CIRURGIA REFRATIVA (ABCCR) visa congregar oftalmologistas, ampliar o estudo e acompanhar o desenvolvimento de todos os aspectos técnicos e científicos inerentes à cirurgia de catarata, aos implantes intraoculares e da cirurgia refrativa, propagando-os aos oftalmologistas e estendendo seus benefícios à comunidade.

Com informações: Sandra Santos|Sthercom Comunicação Integrada

Portal Gazeta Do Amazonas (Reprodução autorizada mediante citação do Portal Gazeta Do Amazonas)

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