Seduc-AM e PM comprometem-se a concluir termo de cooperação para o funcionamento das escolas nesta semana

05/02/2018 06:36

Durante a tarde da última sexta-feira (2), a Secretaria de Estado de Educação e Qualidade do Ensino do Amazonas (Seduc-AM) e a Polícia Militar (PM) firmaram acordo visando a conclusão  do termo de cooperação técnica que irá solucionar irregularidades no funcionamento das escolas da PM. Além de promover melhorias na qualidade de educação e, ainda, padronizar o serviço realizado pela PM em todas as instituições, a ação irá beneficiar crianças e adolescentes com a gratuidade de ensino, alimentação, material escolar e fardamento.

A ação aconteceu durante a segunda audiência pública realizada no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil seccional Amazonas (OAB-AM) e contou com a presença de representantes do Comando Geral da PM, Seduc-AM, Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Privado do Estado do Amazonas (Sinepe/AM), dentre outras entidades, além de pais e responsáveis dos alunos.

Segundo o presidente da Comissão de Direito da Educação da OAB-AM, Rodrigo Melo, o objetivo da audiência é dar uma resposta às centenas de denúncias que chegaram até a entidade. Durante o evento, o responsável pelo encontro apresentou listas de material escolar, denúncias de pais e responsáveis enviadas através do WhatsApp, além de fotos de supostas crianças e adolescentes que estariam realizando trabalho braçal para custear o ensino nas instituições da PM.

“A partir de agora formalizaremos as denúncias junto aos órgãos envolvidos e iremos acompanhar de perto para que as medidas sejam realmente colocadas em prática. Não somos contra as escolas da PM, muito pelo contrário, é inegável a qualidade de ensino oferecida por eles, mas é preciso que a lei seja cumprida”, destacou Melo.

O chefe do estado-maior geral da PM, o coronel Júlio Sérgio anunciou durante a audiência que, em parceria com a Seduc-AM, a realização do termo de cooperação técnica tem avançado e, nesta  semana, o documento deverá ser concluído.

“Estamos realizando alguns planejamentos, inclusive para adquirir os livros didáticos e, a expectativa, é que no próximo ano os alunos já recebam os livros gratuitamente”, informou o representante da PM.

Para a presidente do Sinepe/AM, Elaine Saldanha, que foi convidada para compor a mesa de discussão, é essencial que as instituições visem acima de tudo a educação dessas crianças e adolescentes. “Mas que para isso é importante que preencham os requisitos definidos pelos órgãos competentes, seja na documentação, infraestrutura e os legais”, destacou a educadora, que elogiou o trabalho desenvolvido nas instituições de ensino da Polícia Militar e, ainda, frisou a necessidade dessa qualidade ser estendida a todos os alunos da rede pública de ensino.

Atualmente, os colégios da Polícia Militar adotam um modelo de gestão compartilhada com a Seduc-AM, logo, a legislação estabelece que a população tenha acesso gratuito nesses estabelecimentos. Entretanto, na primeira audiência, realizada no dia 12 de dezembro, foram apresentadas diversas irregularidades no funcionamento dessas instituições de ensino, entre elas, cobrança de fardamento e de material didático, ausência de credenciamento junto a diversos conselhos de fiscalização e do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), bem como o acesso às vagas por meio de processo seletivo.

Após a primeira audiência, o Ministério Público do Estado do Amazonas, por meio da 59ª Promotoria de Justiça Especializada na Defesa dos Direitos Humanos à Educação (Prodhed), obteve liminar da Justiça que suspendia a cobrança de taxas nos colégios da Polícia Militar e ainda estabeleceu multa diária de R$ 1 mil em caso de descumprimento.

Portal Gazeta Do Amazonas (Reprodução autorizada mediante citação do Portal Gazeta Do Amazonas)

Foto: Divulgação