Projeções marcam 1 ano da crise de oxigênio em Manaus

14 de janeiro de 2022 14:45

Por Portal Gazeta do Amazonas

MANAUS – O dia 14 de janeiro de 2021 ficou marcado como o momento de colapso da saúde no Amazonas em decorrência da pandemia de covid-19. Há um ano todos os hospitais de Manaus encontravam-se sem oxigênio para atendimento das pessoas internadas. Faltava este insumo em todo o estado e a empresa produtora não dava mais conta de atender a demanda. Para piorar o cenário: o poder público havia sido informado semanas antes e nada fez. Uma intensa mobilização da sociedade civil buscou compensar o pior da crise, mas muitos perderam a vida. Na noite desta quinta-feira, 13, um grupo de ativistas fez projeções em pontos da cidade para lembrar este grave momento.

Com frases como “Para que não se esqueça” e “Janeiro de 2021 nos deixaram sem respirar” a ação foi realizada em diferentes locais da Zona Norte e da Zona Sul da cidade, atraindo a atenção de pessoas que passavam pelos pontos de projeção.

Além de homenagear as vítimas da tragédia, a ação buscou cobrar a responsabilidade de agentes do poder público que cometeram erros na condução da crise. Para Michelle Andrews, ativista do Coletivo Difusão que coordenou a projeção, a crise do oxigênio é um exemplo de má gestão: “Há um ano o Amazonas enfrentava o pior estágio da pandemia, e a pior face da má gestão pública, é um dever de todos cobrar a responsabilidade daqueles que deveriam ter atuado mas preferiram abraçar o negacionismo”.

A CPI da Covid-19 realizada pelo Senado Federal recomendou o indiciamento do Presidente da República Jair Bolsonaro e do Governador do estado do Amazonas Wilson Lima, para que sejam investigados por diversos crimes, entre eles epidemia com resultado de morte, prevaricação, e o mais grave crimes contra a humanidade. “Existem muitas perguntas sem respostas: Por qual motivo o governo federal não encaminhou as cargas extras de oxigênio no dia em que foram informados do possível déficit ? Por qual motivo a FAB não encaminhou os cilindros arrecadados de forma imediata?”, lamenta Alessandrine Silva, ativista e bacharel em Direito.

A ação “Para que não se esqueça” foi realizada em meio a nova onda de contaminação por Covid-19 que volta a preocupar devido a disseminação da variante Omicron. De acordo com o boletim de quinta (13) da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), foram registrados 2.404 novos casos de Covid-19 no estado. A importância da vacinação está evidente nos números dos internos em leitos clínicos, de 121 pacientes não tomaram vacinas e 51 tomaram apenas a primeira dose.

Histórico

O grupo responsável pela ação tem se mobilizado desde o início da pandemia de covid-19 em ações relacionadas a mitigar os efeitos do enfrentamento à doença. Em abril de 2020 o grupo se mobilizou para conseguir materiais de segurança para profissionais da saúde e criação de faixas de conscientização para dispor em bairros da cidade. Em janeiro de 2021, integrantes do grupo se mobilizaram na busca por oxigênio, transporte de cilindros e distribuição de cestas básicas para a população vulnerável. Após o início da vacinação, houve ainda a mobilização para a carona solidária de idosos que não tinham como se deslocar para serem vacinados.

Confira imagens da ação “Para que não se esqueça” aqui.

Portal Gazeta do Amazonas (Reprodução autorizada mediante citação do Portal Gazeta do Amazonas )

Fotos: Divulgação