Racionamento faz pernambucanos acumularem água, o que dificulta combate ao Aedes

13 de fevereiro de 2016 18:10
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A ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome reforçou as ações de combate contra o Aedes aegypti em Recife. Imagem de divulgação/Sesau Recife

Campeão de notificações dos casos de microcefalia, com mais de 1,5 mil registros, Pernambuco foi o estado que recebeu o maior número de militares na Região Nordeste: mais de 7,7 mil pessoas. São quase 5,5 mil homens e mulheres atuando somente em Recife. Eles se unem a agentes de vigilância ambiental para conscientizar a população sobre o combate a focos de reprodução do mosquito transmissor da dengue, do vírus Zika e da febre chikungunya, o Aedes aegypti.

Além de entregar panfletos em casas e estabelecimentos comerciais em áreas urbanas de 31 municípios do estado, os militares também atuaram na região agreste de Pernambuco. Os transportadores de água, que usam os caminhões-pipa para abastecer cidades atingidas pela seca, receberam atenção especial. Na capital pernambucana, Recife, áreas de risco contaram com visitas individuais e coleta de larvas do inseto.

Uma das localidades visitadas foi a comunidade do Coque, no bairro Joana Bezerra, uma região periférica da capital pernambucana. Como em outros locais do Recife, os moradores ficam sem água durante dias, o que os obriga a estocar água. “Vivemos um racionamento histórico, então as pessoas não tem escolha. E isso cria focos do mosquito”, explica a coordenadora de Vigilância Ambiental da cidade, Vânia Nunes.

Saneamento e abastecimento

A coordenadora Vânia argumenta que é preciso melhorar a infraestrutura em comunidades como a do Coque, com coleta de lixo e abastecimento de água, mas faz um apelo para que as pessoas adotem cuidados mesmo diante das dificuldades: “a gente chega em várias casas e o depósito para armazenar água é uma garrafa PET. Então a garrafa tem que ter tampa. Se eu preciso acumular água em um balde eu tenho que improvisar uma tampa. Então pega um plástico, um tecido, uma lona e passa um cordão, qualquer coisa. Mas tem que acumular água com segurança”.

Vânia Nunes explica ainda que as grandes instituições, como empresas e órgãos públicos, também precisam colaborar no combate ao mosquito, fiscalizando seus meios de produção e instalações em busca de água parada. A coordenadora também defende que, para combater oAedes aegypti de forma eficiente, é preciso criar uma lei que aplique uma sanção, uma penalidade, caso alguém se negue a abrir a casa para a fiscalização dos agentes.

A ministra de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, participou das atividades em Pernambuco e esteve na comunidade do Coque. Ela defendeu que os municípios se empenhem em melhorar serviços públicos para combater o mosquito. “É muito importante que a gente melhore a situação do saneamento no Brasil, de coleta de lixo, para não ter lixo na rua. Às vezes um saco plástico que está acumulando água é um criadouro do mosquito. Então as prefeituras, principalmente nesse momento, tem de estar se dedicando a uma coleta muito mais cuidadosa, mas sempre lembrando que dois terços dos criadouros estão nas residências”, alertou.

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Militares e agentes de saúde procuram focos do mosquito Aedes aegypti na comunidade do Coque, no bairro Joana Bezerra, região periférica da capital pernambucana. Imagem de divulgação/Sesau Recife

Para a ministra, a população está mais consciente dos riscos de acumular água parada: “em todas as casas que visitamos as pessoas não tinham água em vasos. Já é um efeito das informações”. A ministra lembrou, no entanto, que uma só residência pode acabar com todo o trabalho de prevenção de toda uma comunidade. “Visitamos um comércio com a caixa d’água destampada. Toda a vizinhança se mobilizando e uma caixa pode ser o foco de proliferação de milhares de mosquitos. Então todo mundo tem que se somar”.

Auxílio para microcéfalos

Tereza Campello também falou sobre o auxílio financeiro que o governo federal concede a pessoas com deficiência e afirmou que o governo está “se organizando” para apoiar as famílias cujos bebês nasceram com microcefalia, malformação congênita que a comunidade científica relaciona com infeção pelo vírus zika durante a gestação. “[O auxílio] Está previsto na legislação. A constituição federal criou o Benefício de Prestação Continuada, que dá direito a um salário mínimo para crianças com deficiência, pessoas com deficiência que não possam trabalhar e idosos, desde que a renda familiar por pessoa seja menor que um quarto de salário mínimo”, explica.

Com informações Sumaia Villela – Repórter da Agência Brasil

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