ARTIGO – A dor da pandemia
Por Bayard Do Coutto Boiteux

Ao acordar todos os dias, verifico como está a vacinação no mundo. Olho, com muito cuidado e carinho para os países mais pobres. E com muito pesar e muita tristeza, eu verifico a situação na África, onde apenas 7% da população foi vacinada. Alguns países nem sequer atingiram 2%. A pandemia é mundial!As comemorações de alto índice de vacinação são vitais mas sem uma imunidade de rebanho mundial, ficaremos fechando e abrindo fronteiras e quiçá criando guetos de covid free.
O programa Covax da OMS que queria democratizar o acesso à vacina não funcionou. Várias variantes podem aparecer em países com índice reduzido de vacina,como a África do Sul,com a variante Omicron do Sars-Cov-2 e a Beta naquele país. A nova variante se propaga rapidamente e chega nos voos, sobretudo em grandes hubs internacionais. Aeroportos e fronteiras não podem ficar como cão sem dono, o que tem inclusive ocorrido no Brasil, apesar de forte recomendação da Anvisa.
O mundo assiste a novas medidas implementadas por ter se descuidado da máscara. Ela não pode ser abolida nas ruas, em lugares fechados, nos shoppings. Vejo, com apreensão postagens de donos de estabelecimentos de entretenimento e alimentação nas redes, com fotos que apresentam uma falta de respeito pela situação que se nos apresenta. Outros, omitem-se e preferem alegar que a economia precisa continuar. Será que adianta retomada sem cuidados especiais e possível volta de um caos?
Estamos também numa grande confusão com a possível realização do Réveillon e do Carnaval. Cientistas e estudiosos como a Dra Margareth Dalcolmo são contrários. Várias cidades no Brasil e no mundo já cancelaram os eventos, mas o Rio insiste. A população flutuante encabeçada por turistas vai contribuir com a aglomeração e não teremos como controlar os vacinados. Anunciam até aumento de blocos. O fato do Rio ter um índice elevado de imunizados não é uma resposta positiva para incentivar tais certames.
Há muita omissão, por parte daqueles que só enxergam o fator econômico e que não preconizam vidas. Por outro lado, há também um sentimento de limite atingido em algumas pessoas. Partem para um fazer de tudo como se a pandemia tivesse acabado e sem se preocupar muito com o day after. Tratam pouco da saúde mental e vivem uma fobia de entretenimento, custe o que custar.
Vamos, por favor, nos sensibilizar com os países que vivem situação de calamidade e que necessitam urgentemente das vacinas. Há outros problemas que ocorrem e que vão agravar a saúde do mundo. Se não há o nobre sentimento da solidariedade, que o façam para proteger os seus.
Bayard Do Coutto Boiteux, Escritor, pesquisador, consultor, palestrante, funcionário público e atua de forma voluntária na Associação dos Embaixadores de Turismo do RJ e do Instituto Preservale. (wwwbayardboiteux.com.br)
Com informações: Thamiris Vieira
Portal Gazeta do Amazonas (Reprodução autorizada mediante citação do Portal Gazeta do Amazonas )
Foto: Divulgação




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