Dia da Saudade: pesquisa revela profunda história da Praça da Saudade em Manaus e destaca importância da retomada do nome antigo

30 de janeiro de 2024 00:45Comentários desativados em Dia da Saudade: pesquisa revela profunda história da Praça da Saudade em Manaus e destaca importância da retomada do nome antigo

Por Portal Gazeta do Amazonas

MANAUS – Um estudo inovador conduzido por um pesquisador amazonense lançou luz sobre a intrigante história por trás da emblemática Praça da Saudade, em Manaus, destacando sua origem e evolução como um símbolo da cidade. Atualmente chamada de Praça 5 de Setembro, o local é símbolo do resgate de um sentimento comum entre os brasileiros, e que surge na língua portuguesa para denominar a ausência daquilo ou de quem se gosta. Neste dia 30 de janeiro é celebrado o Dia da Saudade, e a dissertação de mestrado “Praça da Saudade: camadas de sentimentos soterrados” do pesquisador em ciências da comunicação Gabriel de Andrade traz, ainda, importantes registros sobre a história das Praças da Saudade em todo Brasil.

A tradicional Praça da Saudade de Manaus emerge como um monumento que tem suas raízes profundas em um contexto de epidemia, quando jovens e crianças perderam a luta contra doenças como cólera, febre amarela e varíola. Erguida em frente ao antigo cemitério São José – atual Atlético Rio Negro Clube – a praça transformou-se ao longo dos anos em um símbolo afetivo e cultural para a população local.

“Quando o Cemitério São José é inaugurado (1853), muitos estão morrendo por epidemias da época, e essas doenças matavam principalmente as crianças, os jovens, os adolescentes, então houve essa mudança na pirâmide da população. Isso afetou tanto as pessoas, que as famílias encomendavam dos jornais textos e poemas em homenagem a essas crianças a esses jovens que estavam morrendo. E por conta de todo esse contexto é que surge a Praça da Saudade (1865)”, afirma Gabriel de Andrade.

O estudo de Andrade destaca a singularidade da saudade como um sentimento genuinamente brasileiro, sublinhando como a Praça da Saudade em Manaus tornou-se uma representação tangível desse elo emocional entre passado e presente.

Outro lado da Saudade – Um dos principais objetivos do estudo é, para além da história da praça, um objeto de desmistificação do contexto social em que ela vive atualmente.

“O objetivo principal da pesquisa é de construir uma contranarrativa ao que a mídia reforça sobre a Praça da Saudade. Porque se a gente pesquisa sobre a Praça da Saudade em Manaus, nas notícias a gente só vê imagens rotuladas da praça como um local perigoso em que reina o tráfico de drogas, a prostituição, abandono, pessoas em situação de rua, e todas essas matérias reforçam esse estereótipo e afastam as pessoas de quererem conhecer realmente o que é a Praça da Saudade”, explicou Andrade.

A pesquisa identificou, ainda, similaridades em outras 51 praças espalhadas pelo país, 40 delas compartilhando histórias de perda e resiliência.

“Foi a partir da Praça da Saudade de Manaus que eu descobri que existiam várias outras pelo Brasil. São 51 praças, sendo 40 localizadas em frente ao cemitério. Primeiro vem o cemitério e depois vem uma praça da saudade”, afirmou Gabriel Andrade.

Nem cemitério, nem saudade – Apesar de também nascer da mesma realidade que as outras 40 praças dedicadas à memória de alguém que já partiu, a Praça da Saudade na capital amazonense atualmente chama-se Praça 5 de Setembro, em homenagem à data de Elevação do Amazonas à Categoria de Província.

Atualmente, o terreno que dava lugar ao cemitério São José é o endereço de um dos mais antigos clubes de Manaus. O resgate da história fica por conta do velho costume: nunca se ouviu um manauara identificar aquele espaço com outro nome, que não o do sentimento.

O estudo não apenas joga luz sobre a história da Praça da Saudade na capital do Amazonas, mas também oferece uma perspectiva única sobre a identidade brasileira, destacando a importância de preservar memórias coletivas e proporcionar um espaço para a reflexão e homenagem.

Sobre o Pesquisador:

Gabriel de Andrade é mestre em ciências da comunicação, graduado em design e licenciatura em artes visuais pela UFAM. A pesquisa “Praça da Saudade: camadas de sentimentos soterrados” foi conduzida como parte do compromisso contínuo do pesquisador em desvendar a rica história cultural da região e destacar a importância de preservar os monumentos que contam a história do Brasil.

 

Portal Gazeta do Amazonas (Reprodução autorizada mediante citação do Portal Gazeta do Amazonas )

Fotos: © Divulgação/Janailton Falcão

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